Saturday, December 7, 2013

Metade Do Dobro

Depois que conheci o minimalismo percebi que eu tinha muitas coisas que eu não usava. Coisas que eu havia comprado com tanto carinho e até uma certa esperança, mas que no dia a dia eu não precisava.

Aí percebi que muitas das coisas que comprei, não eram na verdade por necessidade e nem mesmo por vontade mas era para me trazer alegria num determinado momento. Eram coisas que eu via em lojas e na hora sentia que precisava ter determinado objeto na esperança de que aquilo me traria felicidade ou que aquilo fosse preencher talvez o vazio que sentia mas não conseguia identificar.

Quando comecei a desapegar das coisas aqui de casa, desde brinquedos, utensílios de cozinha, e até roupas, vi o quanto eu comprava coisas sem realmente precisa-las. Sinceramente? Doeu. Doeu ver o quanto eu havia gastado na esperança de me satisfazer de alguma maneira e o quanto aquilo era mentira. Me lembrei de uma matéria que estudei na faculdade.

Como me formei em comunicação estudei uma matéria "como persuadir as pessoas a comprarem". Tá bom, este não era o nome da matéria, era um outro bem mais complicado que não me lembro, mas que disfarçava o que realmente a matéria ensinava: como persuadir as pessoas a comprarem.

Nós alunos éramos ensinados as mais diversas técnicas de persuasão.

Tinha a "sensação de escasez" - se você falar pro consumidor que só existe mais uns 3 ou 4 de um produto ele vai comprar com medo de ficar sem. Até hoje vejo isso por aí, principalmente quando procuro por passagens aéras, hoje mesmo vi isso: repare no: "Only 4 tickets left at this price"


Tem também o famoso metade do dobro. Olha isso, no site oficial deste determinado produto ele custa US$ 24,99. Quando você acha o mesmo produto no site Amazon, ele também está este preço, porém com um super banner dizendo "promoção" de 44,99 por 24,99.




Foto do Site Oficial


Foto do site Amazon

Mas para mim a pior técnica, ou melhor a mais maléfica técinica, era aquela que usava a Teoria de Pavlov. Pavlov tocava um sino toda vez que alimentava seus vários cães, com o tempo os cães salivavam e babavam só de ouvir o som do sino mesmo não vendo comida alguma. Pavlov explica que todos temos certos reflexos internos.

O que isso tem a ver com propaganda? Bons publicitários usam de coisas que as pessoas já buscam (felicidade, segurança, relacionamentos, tranquilidade, etc) para vender os seus produtos que não possuem nada a ver com qualquer destes temas.

E apesar de teoricamente eu saber disso, doeu muito perceber o número de ítens que eu havia comprado buscando preencher uma necessidade muito maior.

Na verdade a dor não é de ter comprado e sim de perceber que aquele objeto no qual eu depositei tanta esperança não fez diferença alguma na minha vida. Que depois de todo o meu investimento, eu continuava a mesma pessoa, com aquele mesmo vazio.

Numa redação do site The Minimalists é pedido para escrevermos as 10 coisas que nos traz mais felicidade e ao lado escrevermos as 10 coisas que mais nos custaram dinheiro (casa, carro, etc) e depois eles nos perguntam se existe algum ítem que está nas duas colunas. Para mim a resposta foi um claro não. Acho que para muitos será assim.

Isso me provou o que eu já sabia, mas que frequentemente esqueço, que a felicidade não vem das coisas materiais ou mesmo do dinheiro.

Por que estou escrevendo tudo isso aqui hoje? Bom, estamos na época de Natal, e mesmo tendo aprendido todas estas lições acima, ainda me vejo olhando as vitrines e depositando grande esperança em cada ítem lá.

Esta semana que passou vi este carrinho de madeira e me apaixonei! Fiquei dois dias obsecando pelo carrinho. Pensando em todas as razões pelas quais este carrinho não era apenas uma vontade e sim uma necessidade. Dois dias depositando milhares de esperanças no carrinho.

Eu podia ter comprado. Não comprei. Ainda bem. Porque eu poderia até comprar o tal carrinho, mas ele não ia fazer diferença na minha vida. Aliás, ia me fazer mais pobre. Mas fora isso, tudo ia ficar igual. Toda a esperança que eu depositaria no carrinho ia ser frustrada porque este objeto é incapaz de me trazer felicidade ou suprir qualquer outra necessidade fundamental que tenho.

E mesmo sabendo disto, e de todas as coisas que escrevi, aquele objeto ainda me consumiu por dois dias inteiros. Tudo bem, neste momento você pode até estar pensando, "que burra, dá zero pra ela " pode falar, eu pensei isso milhares de vezes, mas não é apenas minha culpa. Na nossa sociedade vemos em média de 5 mil propagandas por DIA! CINCO MIL!

E é por isso que mesmo sabendo de todas essas coisas, eu ainda me vejo cometendo os mesmos erros do passado, acreditando nas mesmas falsas propagandas. Mas nem por isso vou desistir, pelo contrário, a cada dia que passa quero ficar mais convicta de que a felicidade se encontra nas pequenas coisas: numa boa conversa com amigos, no abraço de uma criança, no ver o pôr do sol.

Quem sabe não consigo um dia comemorar um natal sem presentes? Um natal onde vou pensar apenas no que realmente importa...

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