Tuesday, June 3, 2014

Mais difícil do que eu pensava...

Numa faxina recente encontrei uma pasta com meus trabalhos da escola da segunda série: desenhos, e todas as provas que fiz naquele ano... Foi gostoso voltar no tempo e me ver como uma criança... Alguns dos desenhos eu me lembro do dia em que comecei a faze-los, e do que passava na minha cabeça quando fui começar... Outros foi uma total surpresa, como se estivesse vendo o trabalho de outra criança..

Depois de alguns minutos neste túnel do tempo, lembrei que eu estava naquele momento fazendo uma minuciosa faxina e que precisaria decidir o destino daqueles papéis. Caixa de recordações ou lixo?

Desde que comecei este processo de minimalizar minhas coisas, tiveram várias coisa difíceis de dizer adeus, mas até então nenhuma tão difícil quanto essa.

Se eu jogasse fora este material eu jamais o veria novamente, muito menos poderia compra-lo.

Este pensamento parecia tornar a minha decisão muito simples: guarde tudo.

Mas por outro lado: pra que? Qual função aqueles papéis teriam na minha vida? De que maneira eles trariam mais alegria ou me ajudariam em algo? E eu não consegui pensar em nada concreto. Tudo bem, seria legal um dia eu mostrar para os meus filhos, mas e depois? Quantas vezes mais eles iam querer ver isso de novo?

Aí lembrei que faziam dois anos que eu não abria aquela pasta, desde o dia que minha mãe entregou-a pra mim, eu não havia nem sequer olhado outra vez..

Pensando nisso e resolvi jogar. Tirei algumas fotos, e coloquei todos os papéis numa caixa que já estava destinada a ir para o lixo.

A faxina continuou, mas passei o resto do dia me perguntando se estava fazendo a decisão correta. "Não tem mais volta," eu ficava pensando.

Ainda assim não mudei de idéia.

A faxina acabou, as caixa de lixo foram para seu local, e o que realmente importava estava devidamente guardado.

"Consegui!" foi o que eu pensei antes de dormir.

No dia seguinte, ao sair de casa, olhei para a calçada e a caixa ainda estava lá, inteira, na frente de casa. O caminhão ainda não havia passado e eu tinha ali minha última oportunidade de guardar aquelas relíquias do meu passado. Me deu vontade de sair correndo, abrir a caixa, abraçar aqueles trabalhos e dizer "são meus! Eu que fiz! Eu era tão pequena e fiz tudo isso!"

Em vez disso, fechei os olhos e continuei o meu caminho.
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Já faz um mês que isso aconteceu. Não existe mais a mínima chance de eu rever aqueles papéis. Mas tudo bem. Tudo bem porque eu estou bem. Eles realmente não fazem falta na minha vida. Se eles estivessem aqui não iam alterar em nada meu dia a dia, muito menos minha felicidade. Aqueles papéis poderiam até me lembrar de uma época mais tranquila da minha vida, ou servir como uma medalha para os meus filhos verem as notas altas que um dia tirei, mas isso seria apenas um momento passageiro. Aí passariam mais 2 anos ou 20 ou 40 e estes papeis não teriam função alguma. Por isso não me arrependi da minha decisão. Sim, foi mais difícil do que eu pensei, mas foi possível. Consegui.

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